Produtos regionais ajudam a contar a história do Brasil, promovem o turismo e fortalecem o setor de bares e restaurantes Em cada canto d...
Produtos regionais ajudam a contar a história do
Brasil, promovem o turismo e fortalecem o setor de bares e restaurantes
Em cada canto do Brasil, a culinária exerce
um papel fundamental na preservação da cultura, na construção da identidade
coletiva e no estímulo à economia local. Pratos tradicionais, que muitas vezes
nasceram em cozinhas simples ou em saberes transmitidos de geração em geração,
hoje se transformam em verdadeiros símbolos regionais e motores de
desenvolvimento. É o caso do doce de leite de Viçosa, em Minas Gerais, e do
tacacá, em Belém do Pará – duas receitas que, além de saborosas, movimentam
negócios e encantam turistas.
A força das comidas típicas vai além do
paladar: elas geram renda, atraem visitantes, impulsionam empreendimentos e
criam conexões emocionais entre quem cozinha e quem consome. Para bares e
restaurantes, incluir pratos regionais no cardápio reforça a autenticidade da
casa e o vínculo com a cultura local. Em tempos de busca por experiências mais
verdadeiras, a gastronomia
regional se consolida como ativo estratégico do setor.
O chef José Zaharam Rodrigues Júnior, do
restaurante Casa Cedrus, não esconde o carinho que tem pelo produto. “Quando se
fala em doce de leite no meu restaurante, sempre é Viçosa. Ele é base de
sobremesas como rocambole e torta de banana. Minha boca até saliva ao lembrar
do clássico doce de leite com queijo minas”, conta. Para ele, o doce carrega a
essência da culinária mineira: simplicidade, tradição e sabor.
Zaharam destaca que o produto vai além da
mesa: “O doce de leite Viçosa é como um passaporte. Vai marcar uma consulta em
outra cidade? Diga à secretária: ‘quando eu for aí consultar, vou levar para
você o doce de leite Viçosa’. Rapidinho ela retorna dizendo que houve uma
desistência e poderá lhe atender no dia seguinte. Ele abre portas”, brinca o
chef, revelando o poder simbólico e afetivo do produto.
Apesar de ainda pouco explorado na alta
gastronomia local, o chef acredita no grande potencial do doce de leite Viçosa
para compor receitas mais elaboradas e criativas. “Ele representa a autêntica
receita mineira: leite e açúcar. É gosto de infância, das fazendas, das cidades
do interior. É mais que um produto — virou patrimônio”, afirma.
Recentemente, o doce de leite passou a ser
exportado para os Estados Unidos, levando consigo o nome da cidade e da
universidade. A repercussão trouxe visibilidade para Viçosa e pode impulsionar
o turismo gastronômico da região. “É um orgulho ver um produto tão nosso
ganhando o mundo. E isso ajuda a colocar Viçosa no mapa não só da educação, mas
também da gastronomia”, destaca o chef.
Além de encantar os moradores locais, o
doce de leite também atrai visitantes. Muitos turistas que chegam à cidade
buscam o produto como lembrança ou como experiência gastronômica. Restaurantes
e docerias que apostam na valorização do ingrediente ganham pontos com o
público e se destacam no mercado.
“O tacacá é muito mais do que um prato
típico; ele é uma representação viva da história e da cultura do nosso estado”,
afirma Rafael Barros, proprietário do restaurante Amazônia na Cuia. Para ele,
cada cuia servida conta a história da sua gente. “Ele carrega memórias
afetivas, ancestralidade e a riqueza dos ingredientes amazônicos. Servi-lo é
celebrar tudo o que o Pará representa”, diz.
No restaurante, o tacacá está entre os
itens mais procurados, tanto por moradores quanto por turistas. O sucesso do
prato é tamanho que virou até trilha sonora: a música “Tacacá”, da cantora
Joelma, aumentou ainda mais o interesse pelo caldo e fortaleceu o orgulho
paraense. “A música despertou orgulho no paraense. Foi uma das precursoras na
valorização do tacacá”, afirma Rafael.
Segundo ele, o impacto do prato alcança
toda a cadeia. O tacacá movimenta desde pequenos produtores e feirantes até
grandes empreendimentos da gastronomia. “As barracas de rua vendem tacacá desde
o século passado. É algo que move a economia e incentiva o turismo. A gente
começou com 5m², e o tacacá sempre esteve com a gente”, conta o empreendedor.
A valorização do prato típico também serve
como estratégia de posicionamento para o Amazônia na Cuia. “Não vendemos apenas
comida. Oferecemos uma experiência cultural. O tacacá é um símbolo da
hospitalidade e da força do nosso povo. Ele conecta as pessoas à sua terra, à
sua história”, diz Rafael.
Em um mundo cada vez mais globalizado, a
autenticidade virou um diferencial competitivo. E a gastronomia, com sua força
simbólica e emocional, está no centro dessa transformação. Ao valorizar os
ingredientes locais, as tradições e os saberes populares, empreendedores do
setor de alimentação fora do lar ajudam a construir um Brasil mais saboroso,
diverso e conectado às suas raízes.
Festival Brasil Sabor 2025 traz o melhor
da gastronomia nacional
Entre os dias 15 de maio e 1º de junho,
consumidores de todo o Brasil poderão vivenciar uma verdadeira celebração da
gastronomia nacional com o Festival Brasil Sabor 2025, promovido pela
Abrasel. Em sua 19ª edição, o evento reúne bares e restaurantes de todas as
regiões do país com pratos exclusivos criados especialmente para o festival,
inspirados na cultura e nos ingredientes locais.
Com o tema “A Celebração da Cozinha
Brasileira”, o Brasil Sabor é uma oportunidade única para conhecer sabores
diferentes, apoiar a culinária regional e aproveitar preços promocionais
em receitas criativas e cheias de identidade. Os pratos estarão disponíveis nos
salões dos restaurantes, por delivery ou take away, facilitando o acesso do
público.
Em 2024, o evento contou com mais de 740
restaurantes participantes em 79 cidades e 18 estados. Neste ano, a
expectativa é ainda maior — então prepare-se para explorar novos sabores no seu
restaurante favorito ou descobrir aquele lugar especial que você ainda não
conhece.
Para saber quais estabelecimentos
participam na sua cidade, acesse: www.brasilsabor.com.br


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