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Fronteira com o Brasil: moradores de Santa Elena de Uairén descrevem vigilância e retração social

  A poucos quilômetros da divisa com o Brasil, moradores de Santa Elena de Uairén relatam um ambiente de crescente nervosismo, impulsionado ...

 


A poucos quilômetros da divisa com o Brasil, moradores de Santa Elena de Uairén relatam um ambiente de crescente nervosismo, impulsionado por uma presença policial reforçada, abordagens consideradas fora do padrão e um clima de vigilância constante que tem tomado conta da cidade. 

Pessoas que vivem na localidade — que fica no estado de Bolívar, na região sul venezuelana — descrevem um dia a dia marcado por incertezas e medo de repercussões por expressarem opiniões sobre a situação política e militar da região. Muitos evitam comentar temas sensíveis e preferem encerrar rapidamente qualquer conversa que possa abordar esses tópicos. 

Na entrada da cidade, é possível observar trilhas e rotas alternativas utilizadas por quem tenta cruzar a fronteira sem os trâmites oficiais, muitas vezes pagando propina a milícias ou grupos armados que operam nesses pontos clandestinos. Ao mesmo tempo, outdoors exaltando o governo nacional — exibindo frases como “Maduro es Pueblo” — aparecem em vias principais, algo que moradores interpretam como parte de um cenário de controle social mais intenso. 

Clima de medo e autocensura

Comerciantes e cidadãos consultados relataram sentir-se observados pelas forças de segurança, limitando suas falas a respostas curtas ou neutras quando questionados sobre temas políticos. A população prefere evitar temas delicados por receio de possíveis retaliações ou denúncias, inclusive entre vizinhos e conhecidos. 

Restrição para a imprensa

O ambiente de tensão também atingiu profissionais de imprensa. Guardas ligados a forças oficiais teriam informado que jornalistas que entrassem no município poderiam enfrentar detenção, contribuindo para um quadro de restrição ao trabalho jornalístico e amplificação do receio entre moradores e visitantes. 

Presença militar e rotina afetada

O incremento das patrulhas militares é notado nas ruas e proximidades da fronteira. Moradores afirmam que a intensificação tem objetivo declarado de “coibir e intimidar”, segundo relatos de trabalhadores que viram mudanças no movimento cotidiano. Alguns empreendedores locais indicam queda na renda diária, marcada pela retração de clientes nas ruas e preferência por permanecer em casa. 

Além disso, diante de rumores sobre um possível toque de recolher, famílias estariam estocando mantimentos por precaução, reforçando o sentimento de insegurança e incerteza que domina a rotina de quem vive na região.



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