O Ministério da Agricultura informou na tarde desta quinta-feira (8) que cinco novos focos de influenza aviária de alta patogenicidade (I...
O Ministério da Agricultura informou na tarde desta quinta-feira (8) que cinco novos focos de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP, vírus H5N1) em aves silvestres foram detectados no Brasil. No total, o país soma 30 registros. Não há casos confirmados de infecções em humanos no Brasil.
De acordo com o ministério, há outras seis investigações em andamento, com coleta de amostra e sem resultado laboratorial conclusivo.
As notificações em aves silvestres não comprometem o status do Brasil como país livre de IAAP e não trazem restrições ao comércio internacional de produtos avícolas brasileiros, conforme prevê a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).Vigilância
Na sexta-feira (26), os ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e da Saúde, Nísia Trindade, se reuniram para o planejamento de ações conjuntas para evitar a disseminação da gripe aviária.
No encontro, realizado na sede do Ministério da Saúde, eles falaram sobre a organização dos Centros de Operação de Emergência nas três pastas para a realização de medidas de enfrentamento à doença.
“A unificação de padronização de procedimentos vai nos dar mais segurança no enfrentamento a essa crise sanitária, para que o Brasil saia dela sem nenhum maior risco comercial, nem da saúde humana para que possamos ter tranquilidade e continuar com o status de país livre de gripe aviária”, disse Fávaro.
A Coordenação-Geral de Laboratórios Agropecuários, ligada à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), realiza o monitoramento das ações relacionadas à gripe aviária. O setor é responsável pelo acompanhamento em tempo real da quantidade de amostras que chegam para análise laboratorial.
Atualmente, o processamento acontece no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, em Campinas, unidade de referência reconhecida pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA).
De acordo com o Ministério da Agricultura, o plano de vigilância de influenza aviária está implantado em todos os estados e no Distrito Federal. A medida permite o aumento da capacidade de detecção precoce de casos suspeitos.
Além de reforçar procedimentos e alertas a todos os Órgãos Estaduais de Sanidade Agropecuária (OESA) e Superintendências Federais de Agricultura (SFA), o Mapa afirmou que mantém interações por meio de notas e reuniões com as autoridades nacionais da saúde e do meio ambiente, visando promover ações conjuntas e cooperação para prevenção e controle da doença.
Segundo o Mapa, o Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) da pasta também mantém fiscalização em portos e aeroportos. A rede de Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA), que possui laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para diagnóstico da influenza aviária em Campinas, está treinando e capacitando profissionais de diferentes países para o diagnóstico.
Emergência zoosanitária
No dia 22 de maio, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, declarou estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional devido aos casos em aves.
A medida vale por 180 dias e tem objetivo de evitar que o contágio afete a produção de aves de subsistência e comercial, além de preservar a fauna e a saúde humana.
“A declaração de estado de emergência zoossanitária possibilita a mobilização de verbas da União e a articulação com outros ministérios, organizações governamentais – nas três instâncias: federal, estadual e municipal – e não governamentais. Todo esse processo é para assegurar a força de trabalho, logística, recursos financeiros e materiais tecnológicos necessário para executar as ações de emergência visando a não propagação da doença”, disse Fávaro na ocasião.
Como funciona a vigilância
Quando o Ministério da Agricultura é notificado sobre um caso provável da doença em aves pelo serviço veterinário oficial, são iniciadas ações de vigilância epidemiológica na região pelas secretarias municipais e estaduais de Saúde, coordenadas pelo Ministério da Saúde.
Além das coordenações de vigilância epidemiológica, os Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) presentes em todos os estados atuam na busca ativa para identificação e monitoramento das pessoas que tiveram contato com as aves, para garantir que elas sejam testadas, monitoradas e isoladas, em caso de desenvolverem sintomas gripais, de acordo com o Ministério da Saúde.
As amostras coletadas são analisadas pelo Laboratório Centrais de Saúde Pública (LACENs) e depois enviadas para confirmação do resultado pelos laboratórios de referência e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Vacina em desenvolvimento
O Instituto Butantan estuda o desenvolvimento de uma vacina contra a gripe aviária em humanos. Segundo o Butantan, os testes estão sendo realizados com cepas vacinais cedidas pela OMS. O primeiro lote piloto está pronto para testes pré-clínicos.
Os trabalhos começaram em janeiro, a partir do acompanhamento da disseminação do vírus pelo mundo. “Iniciamos trabalhos para tentar achar um protótipo de vacina contra a gripe aviária em um esforço de vários pesquisadores do instituto. O Butantan tem que cumprir esse papel no Brasil, de cada vez mais se capacitar de uma forma estratégica para responder as demandas que vão aparecer”, afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, em comunicado.
De acordo com o instituto, estão previstos estoques de imunizantes feitos com três cepas vacinais da influenza aviária, sendo duas H5N1 e uma H5N8.
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