Por Lucas Machado-ABRASEL Coquetéis prontos para consumo têm conseguido espaço pela praticidade e ingredientes diferenciados O consumo d...
Coquetéis prontos para consumo têm
conseguido espaço pela praticidade e ingredientes diferenciados
O
consumo de bebidas alcoólicas no Brasil está passando por transformações
significativas, impulsionadas pelas novas preferências do público e pela busca
dos estabelecimentos por soluções mais práticas e rentáveis.
Entre
as tendências que vêm ganhando espaço, as bebidas
ready to drink (coquetéis prontos para consumo) se consolidam como uma alternativa
atrativa para bares e restaurantes.
Essas
bebidas oferecem praticidade tanto para o consumidor quanto para os
empreendedores do setor, que conseguem ampliar seu portfólio de produtos sem
comprometer a agilidade da operação.
O
mercado de drinks prontos tem registrado crescimento expressivo, impulsionado
pela demanda de um público que busca alternativas além da cerveja e dos
destilados tradicionais.
Um
mercado em expansão
O
mercado de bebidas prontas para consumo já era amplo na Europa e nos Estados
Unidos. Em 2020, por exemplo, esse tipo de bebida com sabores de coquetéis
representou 12,6% do mercado de bebidas alcoólicas nos EUA, segundo pesquisa da
Nielsen divulgada na época.
Globalmente,
a tendência também é de expansão. Em 2021, esse tipo de bebida movimentou cerca
de US$ 32,9 bilhões e a expectativa é que alcance US$ 85,5 bilhões em 2030,
segundo estimativas da pesquisa InsightAce Analytic.
No
Brasil, elas também estão conquistando seu espaço: apenas entre 2020 e 2022,
uma pesquisa de varejo produzida pela Nielsen Scantrack indicou um aumento de
60% no consumo desse tipo de bebida.
Os
fatores que podem ter contribuído para o aumento do consumo incluem a
praticidade, o tamanho compacto, a fácil disponibilidade nos mercados e até
mesmo o preço. Mas os produtos não se destacam apenas para os consumidores; também
são vantajosos para os empreendedores do setor de bares e restaurantes, que
veem neles uma oportunidade de vender drinks de maneira rápida e apresentando
um ótimo custo-benefício.
Guilherme
Dräger, sócio-diretor da Equilibrista, destaca que a empresa registrou um
crescimento de 300% na produção em relação ao ano passado. “Quase um milhão de
latas foram produzidas nesse período de pré-carnaval e carnaval. Aqui em Belo
Horizonte foram mais de 500 mil latas, enquanto em São Paulo foram cerca de 230
mil, além de outras distribuídas pelo Brasil. Esse crescimento se mantém
estável ano após ano, o que mostra como os drinks prontos estão se tornando
cada vez mais relevantes”, afirma.
Além
do aumento expressivo na produção, a preferência do público também chamou
atenção. Guilherme relata que os drinks prontos dominaram o mercado e
conquistaram os consumidores de forma evidente.
“Foi
muito comum ver no final dos blocos carrinhos de ambulantes com sobras de
cerveja e de drinks das grandes indústrias, enquanto os nossos produtos se
esgotavam rapidamente. Esse cenário confirma que as marcas pioneiras, como a
Equilibrista e a Xeque Mate, continuam sendo as mais procuradas e queridas pelo
público, mesmo com a entrada de novas marcas e grandes empresas no segmento”, explica.
Durante
o carnaval, as bebidas da Equilibrista foram as primeiras a acabar nos
carrinhos dos ambulantes. “A procura foi muito maior do que o que a gente
esperava, então era muito comum que no meio do bloco as nossas bebidas
começassem a acabar. As bebidas que começavam a ser vendidas a 15 reais no
bloco, em alguns, chegavam a ser vendidas a 25 reais em função da escassez e da
alta demanda”, conta Guilherme.
Esse
crescimento reforça a consolidação dos drinks prontos como uma forte tendência
no mercado. “Hoje essa tendência já virou realidade. A nova geração está cada
vez mais pedindo esse tipo de bebida, e ficou super comprovado agora no
carnaval”, acrescenta Guilherme.
Em
São Paulo, onde o mercado ainda é novo, o estoque também acabou rapidamente.
“Na segunda-feira de carnaval, todo o nosso produto já estava vendido, e na
terça e quarta, os distribuidores já não tinham mais produto disponível para
venda.”
Praticidade
e padronização para bares e restaurantes
Para
os bares e restaurantes, a categoria de drinks prontos representa uma solução
estratégica, tanto do ponto de vista operacional quanto financeiro. Ao oferecer
produtos padronizados e prontos para consumo, os estabelecimentos reduzem o
tempo de preparo e a necessidade de mão de obra especializada, permitindo uma
operação mais ágil, especialmente em momentos de grande fluxo de clientes.
Além
disso, as bebidas prontas atendem a um público cada vez mais interessado em
novas experiências e sabores. A diversificação do cardápio de bebidas pode
atrair clientes que buscam opções diferenciadas e que, muitas vezes, não
encontram alternativas além da cerveja nos estabelecimentos.
Edson
Segundo, diretor-geral da Lambe Lambe, reforça essa percepção: “Os drinks
prontos são um fenômeno de comportamento de consumo. O jovem quer qualidade,
preço justo e não quer esperar na fila do bar. Isso mudou a relação do público
com a bebida e ampliou a aceitação dos coquetéis prontos”.
A
categoria também traz benefícios financeiros para os bares e restaurantes, como
explica Edson. “É uma margem boa para os estabelecimentos e uma grande vantagem
competitiva. Os empresários estão entendendo que esse é um produto que se vende
sozinho”, afirma.
Edson
também destaca a diferença de volume e tempo de preparação entre os drinks
convencionais e os ready to drink, especialmente em eventos de grande porte
como o carnaval.
“Eu
consigo fazer e vender 5 caipirinhas com o mesmo tempo que gasto para vender 40
drinks prontos. É um intervalo muito grande e com uma margem de ganho muito
próxima. Pensando em operação, em margem e volume de vendas, para o Carnaval
faz total sentido”, afirma.
Este
custo benefício do tempo gasto para o valor que se recebe pode ser uma grande
vantagem para o setor, que segundo a Abrasel teve 64% dos estabelecimentos operando
sem lucro em janeiro.
Diante
desse cenário, as bebidas ready to drink seguem conquistando espaço e se
tornando uma aposta cada vez mais sólida para o setor de alimentação fora do
lar.


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