Movimento inédito: Arábia Saudita, Egito e Catar pedem retirada do Hamas de Gaza

 


Pela primeira vez, países árabes como Catar, Arábia Saudita e Egito emitiram uma declaração conjunta exigindo que o Hamas entregue as armas e transfira o controle da Faixa de Gaza para a Autoridade Palestina. Essa iniciativa histórica faz parte de um esforço diplomático mais amplo para encerrar o conflito com Israel e avançar rumo a uma solução de dois Estados.

O documento, conhecido como “Declaração de Nova York”, foi firmado durante uma conferência internacional organizada na sede da ONU, com participação de representantes da União Europeia e de mais 17 países. A declaração condena de forma clara o ataque realizado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, e propõe a criação de uma missão internacional de estabilização temporária em Gaza, coordenada pela ONU, até que a Autoridade Palestina esteja em condições de reassumir completamente o governo local.

Outro ponto central do texto afirma que toda a estrutura de segurança e administração dos territórios palestinos deve ficar sob controle exclusivo da Autoridade Palestina, com apoio de organismos internacionais. A França descreveu o documento como um movimento “histórico e sem precedentes”, já que representa a primeira vez que países árabes não só criticam o Hamas, mas também manifestam a disposição de normalizar relações diplomáticas com Israel no futuro, desde que haja avanços concretos no processo de paz.

Paralelamente, outros países ocidentais como França, Reino Unido e Canadá sinalizaram que podem reconhecer oficialmente o Estado da Palestina caso haja progresso em negociações de cessar-fogo e reformas políticas internas, criando um cenário de maior pressão diplomática sobre todas as partes envolvidas.

Apesar desse avanço diplomático, Israel e Estados Unidos não participaram da conferência e criticaram duramente a proposta, afirmando que ela poderia premiar práticas terroristas e dificultar negociações para a libertação de reféns e a segurança da região. Por sua vez, o Hamas, até o momento, não demonstrou interesse em abandonar o controle da Faixa de Gaza nem em abrir mão de seu arsenal.

O debate, no entanto, marca uma mudança significativa na postura de várias nações árabes que, historicamente, evitavam confrontar o Hamas de maneira direta. Agora, o apelo conjunto por um desarmamento visa criar condições para retomar as negociações de paz, reduzir a violência e restabelecer a perspectiva de convivência pacífica entre israelenses e palestinos.

A Declaração de Nova York é vista por analistas internacionais como um passo importante rumo a um eventual reconhecimento pleno do Estado palestino, além de reforçar o papel da Autoridade Palestina como representante legítima do povo palestino. Resta saber se o movimento ganhará força suficiente para gerar mudanças reais no cenário do Oriente Médio, que há décadas enfrenta ciclos de conflito e impasses diplomáticos.

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