Em meio a uma escalada de tensões comerciais com os Estados Unidos, o governo brasileiro decidiu reforçar seu compromisso com o BRICS, des...
Em meio a uma escalada de tensões comerciais com os Estados Unidos, o governo brasileiro decidiu reforçar seu compromisso com o BRICS, desafiando diretamente as ameaças tarifárias feitas pelo presidente Donald Trump. A estratégia brasileira foi amplamente comentada pela imprensa britânica e por diplomatas internacionais, que enxergam o movimento como parte de uma nova postura de política externa do país.
BRICS como prioridade estratégica
Na 17ª Cúpula dos Líderes do BRICS, realizada no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho, o Brasil reafirmou sua intenção de ampliar a cooperação dentro do bloco. O encontro contou com discussões sobre governança da inteligência artificial, saúde pública, proteção ambiental e fortalecimento institucional. Com a presidência rotativa do BRICS, o Brasil busca colocar o país no centro das negociações multilaterais e construir uma agenda que vá além dos tradicionais parceiros econômicos.
Segundo o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, as tarifas anunciadas por Trump são uma tentativa de intimidação econômica que apenas reforça a necessidade de o Brasil diversificar suas alianças e reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos.
Ameaças de Trump e retaliações comerciais
O governo americano, por meio do presidente Donald Trump, ameaçou inicialmente uma tarifa de 10% sobre produtos de países que intensificassem laços com o BRICS. Em seguida, Trump endureceu o tom e elevou para 50% as tarifas especificamente sobre o Brasil, citando como justificativa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e acusando o governo Lula de práticas comerciais desleais.
Como resposta, o governo brasileiro acionou formalmente a Organização Mundial do Comércio (OMC) e intensificou articulações diplomáticas para conter os efeitos econômicos dessa retaliação.
Reação do governo e do setor produtivo
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, coordenou uma série de reuniões com representantes da indústria e do agronegócio, como CNI, Fiesp e empresas exportadoras. Nessas reuniões, discutiu-se uma estratégia conjunta para minimizar os impactos das tarifas e buscar diálogo direto com autoridades americanas.
Também foram destacadas preocupações das câmaras de comércio, que alertaram para os riscos de desemprego, queda nas exportações e perda de competitividade de produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Diversificação das parcerias internacionais
Além de ampliar os laços com China, Rússia, Índia e África do Sul no âmbito do BRICS, o governo Lula tem buscado avançar em outras frentes, como o acordo comercial com a União Europeia, negociações com o Canadá e fortalecimento do Mercosul.
Essa estratégia é defendida pelo Palácio do Planalto como essencial para reduzir riscos geopolíticos e construir uma presença global mais equilibrada, diminuindo a vulnerabilidade diante de crises ou mudanças de humor político em parceiros estratégicos.
Dimensão geopolítica
Diplomatas ouvidos pela imprensa internacional afirmam que, ao reforçar sua posição no BRICS, o Brasil procura se posicionar como liderança do Sul Global, defendendo reformas em instituições multilaterais e buscando maior protagonismo em temas como sustentabilidade e inovação.
Internamente, a leitura é que as ameaças de Trump podem ter efeito político limitado, já que setores exportadores brasileiros têm diversificado mercados nos últimos anos e ampliado negócios com Ásia, Europa e países vizinhos.
Resumo do cenário
| Tema | Situação atual |
|---|---|
| Aposta do Brasil | Reforço no BRICS e busca de novas parcerias para reduzir dependência dos EUA |
| Retaliações de Trump | Tarifas de até 50% contra produtos brasileiros como forma de pressão política |
| Reação interna | Governo, indústria e agronegócio articulam resposta conjunta e diálogo diplomático |
| Objetivo estratégico | Construir maior autonomia e presença global equilibrada |
Ao que tudo indica, mesmo com as ameaças vindas de Washington, o Brasil pretende seguir apostando na integração econômica com diferentes blocos e países, mantendo o BRICS como peça central de sua política externa neste momento.
Fonte G1


Nenhum comentário