O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira um decreto que eleva para 50% as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros, em uma decisão que promete intensificar as tensões comerciais entre os dois países. A medida entra em vigor já no próximo dia 1º de agosto de 2025.
O governo norte-americano justificou a decisão afirmando que o Brasil representa uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, medidas de regulação de plataformas digitais e pressões sobre empresas de tecnologia norte-americanas seriam parte dessa ameaça.
A decisão tem base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, que permite ao presidente declarar emergência nacional e adotar sanções econômicas unilaterais contra outros países.
Críticas internas e repercussão
A medida gerou reações negativas entre especialistas em comércio internacional e representantes do setor produtivo norte-americano. Analistas destacam que os Estados Unidos mantêm atualmente superávit comercial com o Brasil, o que fragiliza o argumento de ameaça econômica. Além disso, questionam se a aplicação das tarifas não ultrapassa os limites legais impostos ao poder executivo pelo Congresso norte-americano.
Entre empresários e agricultores norte-americanos, cresce a preocupação com eventuais retaliações do Brasil, que poderiam afetar setores como soja, trigo, milho, máquinas agrícolas e produtos industrializados.
Reação do governo brasileiro
Do lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a medida como injusta e afirmou que o país recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a tarifa. O governo estuda, ainda, aplicar sanções equivalentes a produtos importados dos Estados Unidos, conforme previsão da Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional.
O ministro da Economia, Fernando Haddad, disse que serão anunciadas medidas emergenciais para reduzir o impacto sobre os setores mais atingidos, como linhas de crédito, apoio a exportadores e busca de novos mercados.
Setores mais impactados
A tarifa extra deve impactar fortemente produtos agrícolas como café, suco de laranja e carne bovina, além de petróleo bruto e peças da indústria aeronáutica, incluindo exportações da Embraer. O agronegócio brasileiro, que depende fortemente do mercado norte-americano, é apontado como o maior prejudicado.
Além disso, analistas alertam para efeitos indiretos sobre empregos e crescimento econômico no Brasil, com possibilidade de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos trimestres.
Panorama diplomático
O governo brasileiro enviou emissários a Washington na tentativa de abrir um canal de negociação, mas até agora não houve sinalização de flexibilização por parte da administração Trump. O clima político entre os dois países já vinha se deteriorando desde o início do ano, com críticas públicas de autoridades norte-americanas ao governo brasileiro e declarações de Lula contra a política externa dos EUA.
A sociedade civil brasileira também reagiu com campanhas nas redes sociais em defesa da indústria nacional e cobranças por uma resposta firme do governo.
Desafios e próximos passos
Especialistas apontam que, mesmo acionando a OMC, o Brasil terá um caminho longo até obter uma decisão favorável, já que processos do tipo costumam levar anos. Enquanto isso, exportadores terão de absorver custos mais altos ou buscar novos mercados em países asiáticos e europeus.
A escalada protecionista de Trump reacende temores de uma nova onda de disputas comerciais globais, que podem afetar cadeias produtivas em diversos setores.
O governo brasileiro promete continuar negociando, mas admite que, diante do cenário político nos Estados Unidos, as chances de revisão imediata da tarifa são pequenas. Para o Brasil, resta preparar medidas internas para proteger setores estratégicos, enquanto busca apoio de outros parceiros comerciais para contrabalançar as perdas.
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