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Catálogo macabro na web: crianças sequestradas da Ucrânia expostas em site russo

  Uma denúncia internacional trouxe à luz uma prática chocante atribuída às autoridades russas: a criação de um site que apresenta crianças ...

 


Uma denúncia internacional trouxe à luz uma prática chocante atribuída às autoridades russas: a criação de um site que apresenta crianças ucranianas sequestradas para adoção. Classificado pela ONG Save Ukraine como um “catálogo de escravos”, o portal lista menores de idade com informações detalhadas, como idade, gênero, cor dos olhos, cor dos cabelos, temperamento e estado de saúde, permitindo que sejam filtrados como se fossem itens de um comércio. A revelação gerou indignação global e reforçou acusações de crimes de guerra e possíveis atos de genocídio contra a população ucraniana.

O catálogo digital

Segundo as denúncias, o site reúne cerca de 294 crianças, apresentadas como “órfãs” ou “sem cuidado parental”. Muitas delas, porém, foram retiradas à força de suas famílias biológicas durante a invasão russa na Ucrânia. Para ocultar a origem, documentos oficiais foram alterados, apagando qualquer vínculo com a pátria de nascimento. O portal permite buscas por atributos físicos e características pessoais, como se o usuário estivesse escolhendo produtos em uma vitrine online.

Reações e denúncias

Mykola Kuleba, líder da Save Ukraine, descreveu o caso como “tráfico digital de crianças”. Ele enfatizou que esses menores “tinham nome, família e cidadania ucraniana” e que o sequestro representa uma grave violação dos direitos humanos. A classificação como “órfãos” é vista como uma manobra para legalizar adoções forçadas, transformando um crime em suposta ação de assistência social.

Escala do problema

Estima-se que mais de 19.500 crianças ucranianas tenham sido deportadas para a Rússia desde o início do conflito em 2022. Apenas cerca de 1.500 conseguiram retornar às suas famílias. Esse número, embora expressivo, representa uma pequena fração do total de vítimas, e cada caso exige negociações complexas, com envolvimento de organizações internacionais, diplomacia e pressão política.

Crime de guerra e genocídio

A Corte Penal Internacional já emitiu mandados de prisão contra o presidente russo, Vladimir Putin, e contra Maria Lvova-Belova, comissária dos direitos da criança na Rússia, acusando-os de transferência ilegal de crianças ucranianas — ato considerado crime de guerra. A Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, de 1948, também define a transferência forçada de crianças de um grupo nacional como uma forma de genocídio, especialmente quando há intenção de destruir parcial ou totalmente a identidade desse grupo.

A estratégia da russificação

Especialistas apontam que o objetivo central dessa política é a russificação dos menores. Após o sequestro, as crianças recebem novas identidades, passam por programas de reeducação e são integradas a famílias russas, muitas vezes sem saber de sua verdadeira origem. O processo apaga sua língua, cultura e história, criando cidadãos alinhados ao Estado russo e leais ao regime. Trata-se de uma forma de dominação cultural que vai além do campo de batalha, atingindo as futuras gerações.

Impactos psicológicos e sociais

O trauma vivenciado por essas crianças é profundo. Muitas foram separadas de pais e irmãos sem qualquer explicação, submetidas a ambientes desconhecidos e obrigadas a assimilar uma nova identidade. Psicólogos alertam que, além das dificuldades de readaptação, o rompimento brusco com a família e a cultura de origem pode gerar distúrbios emocionais, depressão e sensação de abandono irreversível.

Resistência e esforços de resgate

ONGs, ativistas e autoridades ucranianas têm se mobilizado para identificar e resgatar essas crianças. O governo da Ucrânia defende que o retorno delas deve ser prioridade em qualquer negociação de paz. As operações de resgate envolvem monitoramento de registros, denúncias de civis, rastreamento digital e apoio de países aliados. Apesar dos avanços, a tarefa é árdua diante da resistência russa e da falta de cooperação oficial.

Reação internacional

A comunidade internacional reagiu com repúdio, classificando a prática como inadmissível. Organizações de direitos humanos pedem sanções mais duras e exigem que países com influência sobre a Rússia pressionem pelo fim da política de deportações e adoções forçadas. Diversas nações já manifestaram apoio às investigações da Corte Penal Internacional, reforçando a importância de responsabilizar os envolvidos.

Defesa russa e o impasse

O Kremlin insiste que se trata de um programa humanitário, destinado a proteger menores de zonas de conflito. Afirma que as crianças são “órfãs” encontradas em áreas de combate e que foram colocadas em lares seguros. Contudo, essa narrativa é fortemente contestada por evidências e testemunhos que indicam o sequestro deliberado, a falsificação de documentos e a propaganda estatal para justificar a prática.

Uma questão de futuro

O sequestro e a adoção forçada de crianças não são apenas crimes contra indivíduos — representam ataques contra a memória e a continuidade de um povo. Ao moldar a identidade de uma geração, a Rússia estaria tentando reescrever o futuro da Ucrânia. O caso do “catálogo de escravos” simboliza, para muitos, a face mais cruel e calculada da guerra: aquela que não mira tanques ou soldados, mas a essência cultural e humana de uma nação.

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