Tarifaço de Trump: EUA aplicam alíquota de 50% a produtos brasileiros a partir de 6 de agosto

 


Nesta quarta-feira, 6 de agosto de 2025, entrou oficialmente em vigor a tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. A medida resulta da soma da tarifa recíproca de 10%, anunciada em abril, com uma sobretaxa adicional de 40 pontos percentuais, totalizando os 50%.

Segundo o governo dos EUA, a ação foi justificada com base em uma declaração de "emergência nacional", citando ações "incomuns" e "extraordinárias" no governo brasileiro que, na visão americana, prejudicam empresas dos EUA, restringem liberdades civis e interferem na política externa americana — alegações diretamente relacionadas ao andamento do processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.

O decreto presidencial isenta cerca de 694 produtos, o que corresponde a 44% a 45% das exportações brasileiras para os EUA . Entre os setores poupados estão: suco de laranja, aeronaves civis (como Embraer), fertilizantes e energia .

A medida impacta aproximadamente 36% das exportações brasileiras, atingindo fortemente setores como café, carnes, máquinas agrícolas e autopeças . A Confederação da Agricultura estima queda de até 47% nas vendas de carne bovina e de 25% nas exportações de café .

O governo brasileiro realizou 29 reuniões com a iniciativa privada — incluindo representantes de empresas americanas como Meta, Amazon, Apple e Google —, mas ainda aguarda aval do presidente Lula para um plano de contingência econômico .

A crise comercial colocada por Trump intensifica a já tensa relação bilateral. O Brasil apresentou recurso formal à Organização Mundial do Comércio (OMC) e anunciou retaliações previstas na Lei de Reciprocidade Comercial, ao mesmo tempo em que amplia os esforços para diversificar destinos de exportação, como China, União Europeia, Índia e Arábia Saudita .

Apesar da magnitude do impacto, economistas projetam efeitos moderados sobre o PIB brasileiro. Relatórios de instituições como XP e Goldman Sachs estimam uma retração limitada, com crescimento ainda previsto em torno de 2,3% para 2025, graças à resiliência do país e à menor dependência do mercado norte-americano .

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