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Amorim diz que ameaça militar dos EUA ao Brasil é preocupante, mas que julgamento do Bolsonaro não será afetado

  O ex-chanceler e atual assessor especial para assuntos internacionais do governo Lula, Celso Amorim, se manifestou nesta quarta-feira sobr...

 


O ex-chanceler e atual assessor especial para assuntos internacionais do governo Lula, Celso Amorim, se manifestou nesta quarta-feira sobre as declarações da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, segundo as quais os Estados Unidos “não têm medo de usar poder econômico e militar para proteger a liberdade de expressão” mundialmente, inclusive diante do julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para Amorim, a fala é grave, causa preocupação diplomática, mas não muda o curso nem a autonomia do julgamento.

O que disse Celso Amorim

Amorim destacou que essas declarações configuram uma pressão externa indevida sobre o STF, mesmo que a Casa Branca tenha se referido a hipóteses “absolutamente fora da diplomacia”. Ele classificou a ameaça militar — ainda que retórica — como “extremamente preocupante” e enfatizou que, no direito internacional, a mera intimidação por poder militar fere princípios básicos da Carta da ONU. 

Apesar disso, Amorim afirmou que não acredita que os EUA venham a realmente usar força militar contra o Brasil, considerando este um ato altamente improvável. 

Julgamento de Bolsonaro e independência do STF

Celso Amorim reiterou sua confiança de que o STF brasileiro conduzirá o julgamento de Jair Bolsonaro com autonomia, sem ser influenciado por ameaças externas. Ele apontou que “qualquer tentativa é inútil, porque eu acho que o Supremo agirá com independência”.

Segundo ele, toda a movimentação diplomática atual não altera os trâmites legais ou o mérito do caso da ação penal que investiga o ex-presidente por tentativa de golpe de Estado. 

Repercussões internacionais e o jogo diplomático

Além de expressar preocupação, Amorim apontou que essas falas refletem um ambiente global de tensões, onde declarações de líderes ou porta-vozes estrangeiras podem ter efeitos simbólicos, gerar desconfiança e afetar relações diplomáticas. Ele mencionou que o Brasil tem buscado fortalecer parcerias com nações como China e Índia, mantendo uma política externa que valorize soberania, multilateralismo e diplomacia.

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