Brasil dividido: críticas ao arcebispo mostram como polarização política atinge até a Igreja O arcebispo metropolitano de Cuiabá, Dom Mári...
Brasil dividido: críticas ao arcebispo mostram como polarização política atinge até a Igreja
O arcebispo metropolitano de Cuiabá, Dom Mário Antônio da Silva, tornou-se alvo de uma enxurrada de ataques nas redes sociais após publicar um vídeo de convite para o “31º Grito dos Excluídos”, manifestação nacional que busca dar visibilidade às vozes marginalizadas da sociedade. A reação, marcada por mensagens de ódio e acusações de cunho político, evidencia o acirramento da polarização no Brasil e levanta o debate sobre intolerância religiosa e liberdade de expressão.
O convite que gerou reação
No vídeo oficial, divulgado pelas plataformas da Arquidiocese de Cuiabá, Dom Mário Antônio convida a população para participar do ato, ressaltando os valores de cidadania, democracia e soberania popular, princípios que norteiam o evento desde sua criação. O religioso destacou ainda a importância de dar espaço aos que vivem à margem, chamando a sociedade a se unir pela justiça social.
O Grito dos Excluídos: história e propósito
O Grito dos Excluídos foi criado em 1995 como parte das celebrações da Semana da Pátria e tornou-se, ao longo de três décadas, um marco de mobilização social. Organizado por movimentos populares, pastorais sociais e setores da Igreja Católica, o evento tem como objetivo denunciar desigualdades, propor alternativas de cidadania e cobrar políticas públicas que garantam dignidade humana.
Em 2025, o tema central é a defesa da soberania e da democracia, em um contexto de crescente tensão política no país.
A onda de ataques virtuais
A publicação da Arquidiocese, no entanto, rapidamente foi invadida por comentários hostis. Muitos usuários autoproclamados “cidadãos de bem” acusaram a Igreja de “fazer comunismo” e de “usar o cristianismo como instrumento político”. Entre as mensagens mais repetidas estavam frases como:
- “Cristianismo não combina com comunismo”;
- “Deus nos salve do comunismo”;
- “Igreja não é lugar de política”.
Alguns comentários foram além, direcionando ofensas pessoais ao arcebispo e acusando-o de “trair os valores cristãos”.
Intolerância ou crítica política?
Especialistas em religião e política destacam que o episódio reflete um fenômeno que se intensificou nos últimos anos: a tentativa de setores da extrema-direita de enquadrar qualquer manifestação social como ato de militância partidária. Para esses grupos, líderes religiosos que defendem pautas sociais são automaticamente associados à esquerda política.
Por outro lado, a Arquidiocese de Cuiabá e lideranças católicas afirmam que a participação no Grito dos Excluídos não se trata de alinhamento partidário, mas de compromisso evangélico com a dignidade humana, a justiça e a solidariedade.
Polarização e fé no Brasil
O caso do arcebispo de Cuiabá não é isolado. Em diferentes estados, padres, pastores e lideranças religiosas têm enfrentado ataques semelhantes quando se posicionam sobre questões sociais, ambientais ou de direitos humanos. O fenômeno ilustra a crescente dificuldade de diálogo em um país onde a fé muitas vezes é usada como ferramenta de disputa ideológica.
Analistas lembram que a própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem reiterado que a missão da Igreja é estar ao lado dos pobres e marginalizados, sem que isso signifique apoiar partidos ou governos.
A importância do respeito ao diálogo democrático
A polêmica em torno do convite de Dom Mário Antônio revela como a intolerância e o discurso de ódio podem comprometer a convivência democrática. Ao atacar um líder religioso por apoiar um movimento social, críticos acabam por reduzir o espaço do debate público e reforçar estigmas que dificultam a construção de consensos.
Para defensores do Grito dos Excluídos, o episódio apenas confirma a relevância da manifestação, que busca justamente dar voz àqueles que são silenciados em meio às disputas de poder.
O caso do arcebispo de Cuiabá é um retrato do Brasil atual: dividido, polarizado e intolerante com posições que fogem à narrativa dominante de determinados grupos. Ao mesmo tempo, reafirma a importância da liberdade religiosa e do direito de líderes espirituais participarem do debate público em defesa da cidadania.
Neste 7 de setembro, o Grito dos Excluídos volta às ruas como símbolo de resistência e de luta por uma sociedade mais justa. E, apesar das tentativas de deslegitimar sua voz, a mobilização segue sendo um espaço de esperança e participação popular.
Veja abaixo a publicação com o convite de Dom Mário para o Grito dos Excluídos:
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