Análise especial Econix por Libia López A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, anunciada nesta sexta-feira (...
Análise especial Econix por Libia López
A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, anunciada nesta sexta-feira (9), marca um dos capítulos mais relevantes da história recente do comércio internacional brasileiro. Segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o pacto poderá gerar um aumento de aproximadamente US$ 7 bilhões nas exportações do Brasil, ampliando o acesso ao mercado europeu e fortalecendo setores estratégicos da economia nacional.
Negociado ao longo de mais de 25 anos, o acordo é considerado o maior tratado econômico já firmado entre os dois blocos, envolvendo um mercado potencial de mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado de cerca de US$ 22 trilhões. Apesar da aprovação política, o tratado ainda depende da ratificação dos parlamentos dos países membros para entrar plenamente em vigor.
Indústria deve sentir efeitos imediatos
De acordo com a ApexBrasil, a indústria brasileira tende a ser a principal beneficiada no curto prazo, em razão da redução imediata de tarifas sobre produtos manufaturados. Entre os segmentos com ganhos mais rápidos estão máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores de energia elétrica, autopeças, além do setor aeronáutico, que passa a competir em condições mais favoráveis no exigente mercado europeu.
Outros produtos industriais também aparecem como oportunidades relevantes, como couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas, além de diversos itens da indústria química, tradicionalmente impactados por barreiras tarifárias e regulatórias na União Europeia.
Diversificação da pauta exportadora
Um dos pontos destacados pela Apex é a possibilidade de diversificação da pauta exportadora brasileira. Atualmente, mais de um terço das exportações do Brasil para a União Europeia já é composto por produtos da indústria de transformação. Com a redução das barreiras comerciais, essa participação tende a crescer, reduzindo a dependência de commodities e agregando maior valor às vendas externas.
Agronegócio terá impacto gradual
No caso das commodities, os efeitos do acordo devem ocorrer de forma progressiva. Produtos como carne bovina, carne de aves e etanol terão suas tarifas reduzidas gradualmente, com previsão de eliminação total em até dez anos, respeitando cotas e mecanismos de salvaguarda.
Essas cláusulas permitem o monitoramento das importações e funcionam como instrumentos de proteção, especialmente para os produtores rurais europeus, ao mesmo tempo em que criam previsibilidade para os exportadores brasileiros.
Multilateralismo em destaque
Em nota oficial, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, classificou o acordo como uma vitória do multilateralismo em um cenário internacional marcado por disputas comerciais e pelo enfraquecimento de organismos globais.
“Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo”, afirmou.
Viana ressaltou ainda que o bloco formado por Mercosul e União Europeia só fica atrás do mercado dos Estados Unidos em termos de PIB conjunto, superando inclusive o da China.
Segundo Análise Econix: impactos estruturais e perspectivas de longo prazo
Para a Econix, o acordo Mercosul–UE vai além do aumento imediato das exportações. Trata-se de um movimento com potencial de transformação estrutural da economia brasileira, ao estimular ganhos de produtividade, inovação industrial e maior integração às cadeias globais de valor.
A abertura gradual do mercado europeu pode incentivar empresas brasileiras a investir em tecnologia, certificações ambientais e padrões de qualidade, elevando a competitividade internacional do país. Além disso, a previsibilidade regulatória tende a atrair novos investimentos estrangeiros, especialmente em setores industriais e de energia.
Projeções futuras positivas para o Brasil
No médio e longo prazo, a expectativa é de que o acordo contribua para:
- crescimento sustentável das exportações brasileiras;
- fortalecimento da indústria nacional;
- geração de empregos qualificados;
- maior equilíbrio da balança comercial;
- consolidação do Brasil como fornecedor estratégico para o mercado europeu.
Se bem implementado e acompanhado por políticas internas de apoio à competitividade, o acordo Mercosul–União Europeia pode se tornar um divisor de águas para a inserção econômica do Brasil no cenário global, abrindo um novo ciclo de crescimento, diversificação e estabilidade para o país.
Autor LIBIA LOPEZ para Econix
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