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Ataque dos EUA ao Irã reforça risco fiscal com aumento de gastos de defesa

  Países desenvolvidos se comprometem a investir apesar de déficit e altas dívidas; Brasil não está imune a esse movimento Os  ataques dos E...

 


Países desenvolvidos se comprometem a investir apesar de déficit e altas dívidas; Brasil não está imune a esse movimento

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã marcam o início de mais um conflito internacional e devem reforçar a agenda global de aumento dos gastos com defesa.

Esse movimento tende a ampliar o risco fiscal de economias desenvolvidas e pressionar ainda mais o endividamento global.

Em 2025, sob forte pressão de Donald Trump, os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se comprometeram a elevar em centenas de bilhões de dólares os gastos militares, com a meta de atingir até 5% do PIB (Produto Interno Bruto) em investimentos.

À época, o secretário-geral da aliança reconheceu a dificuldade de abrir espaço no orçamento, mas afirmou que o avanço das ameaças russas e o cenário de segurança internacional não deixavam alternativas.

O problema surge quando esse aumento ocorre em um ambiente de fragilidade fiscal. Déficits persistentes já pressionam a trajetória da dívida pública nessas economias.

Na União Europeia, o endividamento médio já alcança 82,1% do PIB, bem acima do limite de 60% estabelecido pelas regras fiscais do bloco. Em vários países, a dívida supera os 100% do PIB.

Dos dez países mais endividados da região, oito fazem parte da Otan e compartilham o compromisso de elevar os gastos militares.


O diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente do Senado Federal), Marcus Pestana, avalia que há desequilíbrios estruturais relevantes nas contas públicas de países como Estados Unidos, França e Itália.

Ao mesmo tempo, a deterioração do ambiente geopolítico, com a guerra na Ucrânia e a escalada de tensões no Oriente Médio, torna o aumento dos gastos militares praticamente inevitável.

“Isso deve resultar em um aumento do endividamento global, intensificando as incertezas sobre o cenário internacional”, diz Pestana.

O contexto se torna ainda mais desafiador por causa dos juros. Após a pandemia, as taxas de financiamento subiram e permanecem em níveis elevados nas principais economias, como Estados Unidos, Europa e Japão.

Com isso, o custo de rolar a dívida também aumenta e amplia a pressão sobre os orçamentos públicos.

No Japão, por exemplo, o governo aprovou para 2026 um orçamento recorde para defesa, em meio à pressão dos Estados Unidos e ao aumento das tensões com a China. O juro no país subiu de 0 para 0,75% (maior em 30 anos) e a dívida já supera os 250% do PIB.

Nos Estados Unidos, o quadro fiscal também preocupa. O déficit orçamentário fechou 2025 em US$ 1,8 trilhão, enquanto a dívida total já alcança US$ 38,7 trilhões.

Os sinais de desconfiança já começam a aparecer nos mercados. O ouro tem renovado recordes de preço, impulsionado pela busca de investidores e bancos centrais por ativos considerados mais seguros do que títulos públicos, mesmo sem o pagamento de juros.

A revista The Economist alertou recentemente para o risco de uma “brasilificação” das economias avançadas — cenário em que o peso dos juros passa a pressionar cada vez mais o orçamento público.

Esse processo tende a se agravar com o envelhecimento populacional, o aumento dos gastos sociais, a rigidez orçamentária e a crescente polarização política, fatores que dificultam a implementação de ajustes fiscais.

Mesmo distante dos conflitos e historicamente neutro, o Brasil não está imune a esse movimento. Em 2025, o Congresso Nacional aprovou até R$ 30 bilhões em gastos fora das regras fiscais nos próximos seis anos para modernização das Forças Armadas.

Ainda que excepcionais, essas despesas também pressionam a dívida pública, que encerrou o ano em 78,7% do PIB.

fonte cnn

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