Ao decidir não concorrer a outro cargo, chefes do executivo estadual optam por priorizar controle político local Ao menos oito governadore...
Ao decidir não concorrer a outro cargo, chefes do executivo estadual optam por priorizar controle político local
Ao menos oito governadores em fim de segundo mandato decidiram não disputar cargos nas eleições de 2026 e permanecerão no cargo até o fim para conduzir a própria sucessão.
A escolha rompe com o padrão recente, em que a maioria dos chefes estaduais buscava novos postos, sobretudo no Senado.
A decisão ocorre em meio ao prazo de desincompatibilização, que levou outros dez governadores a deixarem os cargos para concorrer. O grupo que permanece fora da disputa reúne nomes que enfrentam impasses políticos locais, perderam espaço em articulações nacionais ou avaliaram que a influência sobre a sucessão pode ser mais relevante do que uma candidatura.
Entre os casos mais emblemáticos estão Ratinho Junior e Eduardo Leite. Ambos chegaram a ser cotados para a Presidência pelo PSD, mas ficaram fora da corrida e optaram por não disputar outros cargos. No Rio Grande do Sul, Leite deve apoiar o vice, Gabriel Souza (MDB), como candidato ao governo.
Em outros estados, a permanência no cargo está diretamente ligada a conflitos com vices. Governadores evitaram renunciar para não transferir o comando a aliados que se tornaram adversários políticos.
Esse cenário aparece no Rio Grande do Norte, onde Fátima Bezerra (PT) decidiu seguir no posto após o rompimento com o vice Walter Alves (MDB), que será candidato a deputado estadual.
A dupla renúncia resultaria em uma eleição indireta para um mandato-tampão, com cenário incerto na Assembleia Legislativa.
No Maranhão, a disputa entre Carlos Brandão (sem partido) e o vice Felipe Camarão (PT) elevou a tensão política e jurídica. A sucessão deve ocorrer com candidaturas em campos opostos, e a permanência do governador no cargo é vista como forma de manter controle sobre o processo.
Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) fica no posto, mas o clima é de consenso. Ele vai apoiar a volta do seu antecessor, Renan Filho (MDB).
Situações semelhantes influenciaram decisões em outros estados, como Amazonas, Rondônia e Tocantins, onde governadores também enfrentam desgaste com seus vices e optaram por não abrir mão do cargo.
A estratégia também tem impacto na eleição presidencial. Ao permanecerem nos governos, esses chefes estaduais preservam capacidade de articulação regional e montagem de palanques.
No caso de Fátima Bezerra, a decisão incluiu abrir mão de uma candidatura ao Senado para priorizar a construção de um cenário favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado.


Nenhum comentário