O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia continua deixando um rastro de dor e desespero. Enquanto as equipes de emergência segu...
O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia continua deixando um rastro de dor e desespero. Enquanto as equipes de emergência seguem procurando centenas de desaparecidos, famílias das vítimas enfrentam agora uma segunda tragédia: a espera para conseguir localizar, identificar e sepultar seus entes queridos.
As autoridades já contabilizam 281 mortos, 379 desaparecidos e 3.971 feridos. A emergência atingiu mais de 102 mil pessoas em 426 municípios de 15 departamentos.
Mas por trás desses números existem famílias que permanecem há dias diante das portas das morgues, esperando por uma resposta.
Em Palmira, para onde foram levados corpos depois que a unidade de Medicina Legal de Cali entrou em colapso, cerca de uma centena de pessoas permanece nas ruas aguardando informações. Algumas famílias estão há quase quatro dias esperando para receber os corpos de seus familiares.
A situação se tornou ainda mais dramática por causa da falta de espaço para armazenar os cadáveres. A morgue de Palmira tem capacidade para aproximadamente 20 corpos, mas chegou a receber cerca de 120 cadáveres.
Dois caminhões frigoríficos foram enviados para ampliar temporariamente a capacidade de armazenamento.
Entre os familiares que aguardam está Katherine Reyes, que viajou desde Boyacá para tentar recuperar o corpo de sua irmã, Laura Johana, de 28 anos. Durante dias, recebeu a promessa de que poderia levar o corpo para casa, mas a entrega foi suspensa e ela precisou voltar novamente para a fila.
O calor também agrava a situação. Com temperaturas superiores a 30 graus e a falta inicial de equipamentos de refrigeração, fortes odores foram registrados nas proximidades da morgue, aumentando a preocupação com as condições sanitárias.
E, em meio a toda essa dor, surgiu uma denúncia que resume o sentimento de muitos familiares.
Emilse Cortés, que espera há três dias pelo corpo do irmão Carlos Andrés, desabafou:
“Aqui, até para morrer é preciso ter dinheiro.”
Familiares denunciam que algumas pessoas conseguem liberar os corpos mais rapidamente, enquanto outras permanecem durante dias sem informações. O diretor nacional de Medicina Legal reconheceu que existem dificuldades e explicou que cada caso possui características diferentes, principalmente quando os corpos precisam passar por processos complexos de identificação.
Enquanto isso, o governo colombiano afirma que a prioridade continua sendo localizar os desaparecidos e salvar vidas.
O terremoto também deixou 127 edifícios completamente destruídos, mais de 65 mil imóveis danificados e mais de 10 mil casas destruídas, além de danos em hospitais, escolas, estradas, pontes e sistemas de abastecimento de água.
A tragédia, portanto, não termina com o resgate.
Para centenas de famílias colombianas, ela continua diante de uma morgue, atrás de uma lista de nomes e em uma espera angustiante.
Porque depois do terremoto começa outra batalha: encontrar, identificar e dar uma despedida digna àqueles que não voltarão para casa.
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