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Projeto fortalece autonomia de 696 mães solo refugiadas e migrantes no Amazonas e Roraima

  Transformar a capacitação profissional em uma oportunidade concreta de geração de renda é a proposta do projeto “Mujeres Fuertes” que, des...

 


Transformar a capacitação profissional em uma oportunidade concreta de geração de renda é a proposta do projeto “Mujeres Fuertes” que, desde 2022, já beneficiou diretamente 696 mães solo e chefes de família refugiadas e migrantes em Manaus (AM) e Boa Vista (RR). A iniciativa combina formação em empreendedorismo e áreas como Gastronomia e Beleza com apoio psicossocial, entrega de equipamentos e uma estrutura que visa reduzir obstáculos enfrentados por mulheres que precisam conciliar o cuidado dos filhos com a busca por autonomia financeira.

Entre as participantes está a venezuelana Cátia Gonzales, que vive no Brasil há quatro anos. Ela conheceu o projeto por indicação de uma conhecida e participou da nona edição, em Manaus. Durante a formação, teve aulas de finanças, economia, marketing e gastronomia, além de atendimento psicossocial e suporte para participar das atividades. “Foi uma experiência muito linda que guardo no meu coração, porque conheci mulheres e suas histórias, suas trajetórias e seus sonhos. Criamos laços de afeto e amizade”, relata.

Os resultados da capacitação continuaram depois do encerramento das atividades. Cátia recebeu um kit de equipamentos e passou a utilizá-lo no próprio empreendimento. “O projeto fez uma diferença grande em minha vida, porque me motivou a melhorar e a continuar em meu empreendimento. Com os kits de eletrodoméstico, eu estou trabalhando hoje em dia”, conta.

Formação e apoio para empreender

Voltado especialmente a mães solo e chefes de família refugiadas e migrantes, o “Mujeres Fuertes” une capacitação profissional com medidas de apoio para facilitar a permanência das participantes. As atividades incluem conteúdos sobre educação financeira, direitos trabalhistas, direitos das mulheres e habilidades socioemocionais.

Durante o período de formação, as participantes também recebem vale-transporte e vale-alimentação, e podem levar os filhos para as atividades. As crianças permanecem em um espaço preparado para brincadeiras e estudos, com acompanhamento da equipe da instituição.

A estrutura considera ainda dificuldades que podem afetar a inserção econômica de quem chega ao país, como barreiras linguísticas, ausência de rede de contatos, recursos financeiros limitados e situações de xenofobia. A proposta, por isso, combina preparação para o trabalho, acolhimento e fortalecimento social.

Para o diretor-presidente do Instituto Hermanitos, Tulio Duarte, o objetivo é fazer com que o conhecimento adquirido se converta em uma possibilidade concreta de sustento para as famílias. “Quando uma mulher consegue transformar o que aprendeu em uma fonte de renda, o impacto vai muito além dela. Isso fortalece a família, amplia sua autonomia e ajuda a construir uma nova trajetória no Brasil. É esse tipo de transformação que buscamos proporcionar com o projeto”, afirma. 

Alcance

Das 696 mulheres beneficiadas diretamente, 497 estão em Manaus e 199 em Boa Vista. A maioria é venezuelana: 687 participantes, o equivalente a 98,7% do total. Entre elas estão indígenas dos povos Warao, Pemón, Karinã, Arecuna e Wayuu.

Também participaram mulheres de outras nacionalidades, como uruguaia, dominicana, haitiana, cubana e brasileira. Além das participantes diretas, a iniciativa estima ter alcançado mais de 2.000 pessoas indiretamente nas duas capitais, considerando familiares e integrantes da rede comunitária.

“Outro legado desse projeto é o fortalecimento de grupos de mulheres, que criam redes de apoio e de solidariedade. Esse é um dos grandes acertos. Porque são mulheres que continuam unidas e fortalecidas mesmo depois do encerramento da jornada”, comenta Duarte. 

O “Mujeres Fuertes” é executado pelo Instituto Hermanitos com recursos provenientes de reversão trabalhista do Ministério Público do Trabalho no Amazonas e em Roraima (MPT-AM/RR), e conta com apoio do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae-AM).

Sobre o Hermanitos

O Instituto Hermanitos atua na promoção da dignidade, acolhimento e geração de oportunidades para pessoas refugiadas e migrantes nos estados do Amazonas e Roraima. Por meio de programas de empregabilidade, formação empreendedora, capacitações, apoio psicossocial e ações culturais, a instituição contribui para a integração e valorização dessas populações no contexto amazônico. Saiba mais em www.hermanitos.org.br.




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