Brasil defende princípio da não intervenção e mantém relação de Estado com Caracas O assessor especial para Assuntos Internacionais da Pre...
Brasil defende princípio da não intervenção e mantém relação de Estado com Caracas
O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, reafirmou nesta quarta-feira (20) que o Brasil não reconhece Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela e expressou preocupação diante do deslocamento de três navios de guerra norte-americanos no Caribe, próximos às águas territoriais venezuelanas.
Durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Amorim destacou que, embora não faça juízo político sobre a decisão dos Estados Unidos, considera a movimentação militar como motivo de alerta. “Não posso esconder que vejo com preocupação essa mobilização”, declarou.
Segundo o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o risco está no impacto que esse tipo de ação pode trazer à estabilidade regional. Ele ressaltou que o combate ao crime organizado é necessário, mas deve ser realizado com base na cooperação entre países e não por meio de intervenções unilaterais.
Amorim também lembrou que o princípio da não intervenção é um dos pilares históricos da política externa brasileira e frisou que, mesmo sem reconhecer o resultado das eleições que concederam um novo mandato a Maduro, o Brasil mantém com a Venezuela uma relação de Estado.
Essa relação, explicou, é sustentada por fatores concretos, como a presença de aproximadamente 20 mil brasileiros residentes em território venezuelano e o fluxo de cerca de meio milhão de refugiados que atravessaram a fronteira para o Brasil nos últimos anos.
“É um país vizinho, e os vizinhos não se escolhem”, afirmou Amorim, reforçando que o Brasil “reconhece Estados, não governos”.


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