A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um novo alerta sobre a grave crise humanitária na Faixa de Gaza , destacando que os níveis de...
A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um novo alerta sobre a grave crise humanitária na Faixa de Gaza, destacando que os níveis de desnutrição infantil triplicaram desde março de 2025, quando o último cessar-fogo foi rompido. O relatório foi divulgado pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) nesta quarta-feira (20).
Segundo o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, a situação atual é resultado direto da restrição de ajuda humanitária e não de um desastre natural. “O que estamos testemunhando é uma tragédia evitável. Crianças estão passando fome porque a ajuda não consegue chegar em quantidade suficiente. Isso não deveria acontecer no século XXI”, declarou.
Dados alarmantes
Nos últimos seis meses, quase 100 mil crianças foram examinadas nas clínicas da UNRWA em diferentes regiões de Gaza. Os resultados revelam um quadro dramático:
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Na Cidade de Gaza, 1 em cada 3 crianças apresenta sinais de desnutrição, um índice seis vezes superior ao registrado antes da quebra do cessar-fogo.
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Em outras localidades do enclave, a taxa de desnutrição infantil chegou a triplicar, afetando diretamente menores de cinco anos, considerados o grupo mais vulnerável.
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A falta de alimentos básicos, de água potável e de atendimento médico adequado agrava o cenário e compromete o desenvolvimento físico e cognitivo de milhares de crianças.
Contexto do conflito
Desde a intensificação das ofensivas israelenses contra posições do Hamas na Cidade de Gaza, a infraestrutura civil entrou em colapso. Hospitais funcionam acima da capacidade, escolas foram transformadas em abrigos improvisados e corredores humanitários permanecem limitados.
De acordo com a ONU, a interrupção frequente da entrada de caminhões com mantimentos, medicamentos e combustível tem impacto direto sobre a população civil. “As crianças não podem esperar por negociações políticas. A fome não espera. Estamos diante de uma catástrofe anunciada”, reforçou Lazzarini.
Reações internacionais
O alerta da UNRWA repercutiu em diversos organismos internacionais:
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O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) pediu o fim imediato das restrições à entrada de ajuda humanitária, classificando a situação como “insuportável e desumana”.
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou apelos por um cessar-fogo humanitário imediato, destacando que a morte de crianças por fome representa uma “falha coletiva da comunidade internacional”.
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Organizações médicas, como Médicos Sem Fronteiras (MSF), denunciaram que clínicas e hospitais não têm condições de tratar o número crescente de menores com desnutrição severa.
Deslocamentos forçados e insegurança alimentar
Além da desnutrição, milhares de famílias continuam fugindo de bairros da Cidade de Gaza diante dos avanços militares israelenses. A falta de abrigo e a sobrecarga de campos de refugiados dificultam ainda mais o acesso a alimentos e água.
A ONU estima que mais de 80% da população de Gaza esteja em condição de insegurança alimentar aguda. Crianças e mulheres grávidas são as mais atingidas.
Apelo final
Para a UNRWA, a única saída possível é o aumento imediato e sustentado da ajuda internacional. “Se não houver mudanças rápidas, enfrentaremos um cenário de fome em massa e de mortes em larga escala entre crianças”, alertou Lazzarini.


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