Levantamento mostra vantagem do presidente em disputas contra figuras da direita, inclusive membros da família Bolsonaro Uma nova pesquisa...
Levantamento mostra vantagem do presidente em disputas contra figuras da direita, inclusive membros da família Bolsonaro
Uma nova pesquisa Datafolha divulgada no início de agosto de 2025 revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança em todos os cenários simulados de segundo turno para as eleições presidenciais de 2026. O levantamento mediu o desempenho do petista contra adversários do campo da direita, incluindo nomes consolidados e novas apostas eleitorais, e mostrou que Lula venceria mesmo enfrentando Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado.
Os números reforçam a posição de Lula como principal nome do cenário político nacional, mesmo a mais de um ano das eleições. Ainda assim, em alguns casos a vantagem é considerada apertada, ficando dentro da margem de erro da pesquisa.
Os números do primeiro turno
Na simulação de primeiro turno, Lula lidera com 39% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro com 33%. Outros nomes aparecem com percentuais bem menores: Ratinho Júnior tem 7%, Ronaldo Caiado marca 5% e Romeu Zema surge com 4%. A soma de votos brancos e nulos atinge 9%, enquanto os indecisos representam apenas 2%.
Em outros cenários sem Bolsonaro, Lula também mantém a dianteira. Contra Michelle Bolsonaro, por exemplo, Lula aparece com 39%, enquanto ela soma 24%. Quando testados Flávio e Eduardo Bolsonaro, os números de Lula ficam em torno de 39% a 40%, enquanto os adversários não chegam a ultrapassar 20%.
Vantagem no segundo turno
Os números mais expressivos aparecem na simulação de segundo turno. Mesmo enfrentando Jair Bolsonaro — que permanece inelegível até 2030, mas foi testado como hipótese — Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% do ex-presidente. A diferença de quatro pontos está dentro da margem de erro, indicando possível empate técnico, mas ainda confirma a liderança de Lula.
Contra Michelle Bolsonaro, Lula tem 48% contra 40%; contra Flávio Bolsonaro, 48% a 37%; e contra Eduardo Bolsonaro, 49% a 37%. Quando enfrenta Tarcísio de Freitas, a vantagem é menor: 45% a 41%, também em cenário de empate técnico. Já contra Romeu Zema, Lula tem 46% a 36%; contra Ratinho Júnior, 45% a 40%; e contra Ronaldo Caiado, 47% a 35%.
Margem de erro e metodologia
A pesquisa Datafolha ouviu pouco mais de 2 mil pessoas em várias regiões do país entre os dias 29 e 30 de julho de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Embora alguns resultados indiquem empate técnico, Lula manteve a dianteira em todos os cenários.
O que explica a força de Lula
Analistas apontam que os bons números de Lula refletem principalmente três fatores: a recuperação econômica após medidas recentes, a percepção positiva do eleitorado diante de ações sociais e o desgaste de adversários que continuam vinculados a investigações ou à imagem do radicalismo.
O atual presidente também colhe resultados do chamado “tarifaço” anunciado pelos Estados Unidos, que acabou sendo interpretado internamente como um ataque ao Brasil. A retórica de defesa da soberania nacional reforçou a popularidade de Lula entre eleitores que se dizem nacionalistas e preocupados com a economia.
| Candidato (2º turno) | Lula (%) | Adversário (%) | Diferença |
|---|---|---|---|
| Jair Bolsonaro | 47 | 43 | +4 pp |
| Michelle Bolsonaro | 48 | 40 | +8 pp |
| Flávio Bolsonaro | 48 | 37 | +11 pp |
| Eduardo Bolsonaro | 49 | 37 | +12 pp |
| Tarcísio de Freitas | 45 | 41 | +4 pp |
| Outros (Caiado, Zema, Ratinho) | 45‑47 | 35‑40 | 5‑10 pp |
O impacto da inelegibilidade de Bolsonaro
Jair Bolsonaro segue inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Mesmo assim, foi incluído na pesquisa para medir o impacto de seu nome nas urnas. Seu desempenho continua forte — em alguns cenários se aproxima de Lula — mas analistas acreditam que a ausência efetiva de Bolsonaro em 2026 deve obrigar o campo da direita a buscar novos nomes.
Entre os cotados para substituir o ex-presidente na disputa estão Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ratinho Júnior. No entanto, nenhum desses nomes consegue alcançar os mesmos índices de intenção de voto que Bolsonaro.
Desafios e estratégias da direita
Os dados do Datafolha evidenciam que a direita brasileira enfrenta dificuldades em construir um nome competitivo para enfrentar Lula no segundo turno. Sem Bolsonaro, a fragmentação é evidente: nenhum outro candidato da direita consegue passar de 24% das intenções no primeiro turno.
Michelle Bolsonaro, por exemplo, surge como principal aposta de renovação, mas seus números ainda não ameaçam Lula. Já Tarcísio, embora tenha desempenho mais próximo, depende de ampliar seu alcance nacional para transformar força regional em competitividade nacional.
O cenário para 2026
Faltando mais de um ano para o início oficial da campanha, Lula aparece como favorito, mas o cenário eleitoral ainda está em aberto. Questões econômicas, eventuais crises políticas e o comportamento do eleitorado indeciso podem alterar os números.
Por outro lado, a possível candidatura de Lula à reeleição tende a manter o atual presidente como figura central da disputa, o que dificulta o surgimento de adversários fortes.
A pesquisa Datafolha mostra um quadro claro: Lula lidera todos os cenários simulados de segundo turno para as eleições de 2026. Sua vantagem varia de ampla, contra nomes como Flávio ou Eduardo Bolsonaro, a apertada, quando enfrenta Jair Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas.
O resultado confirma o protagonismo do atual presidente na política brasileira e aponta para um desafio real da oposição: encontrar um nome competitivo que consiga unir a direita e conquistar o eleitorado moderado. Até lá, Lula segue como favorito absoluto na corrida presidencial.


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