Em 28 de agosto de 2025, o Exército venezuelano iniciou um recrutamento forçado de jovens nas zonas mineradoras do estado de Bolívar, visando integrá-los à Milícia Bolivariana. Essa ação ocorre num momento de tensão crescente entre Caracas e Washington, impulsionada pelo deslocamento de navios de guerra norte-americanos ao Caribe, sob o pretexto de combater o narcoterrorismo.
Contexto e Ações
No anúncio de 23 e 24 de agosto, o presidente Nicolás Maduro convocou toda a Milícia Nacional Bolivariana para se alistar como resposta à operação norte-americana no Caribe. O apelo foi centralizado em Caracas — os centros de alistamento pelo país, inclusive praças Bolívar e quartéis, mostraram-se praticamente desérticos, conforme registros visuais.
Frente à baixa adesão voluntária, o regime retomou o apelo no fim de semana, mas dessa vez com ações coercitivas. No início da madrugada de 28 de agosto, fontes em Sifontes, Bolívar, relataram que o Exército começou a mobilizar “os jovens” — homens entre 17 e 35 anos, independentemente de seu estado civil ou ocupação — em camionetes e caminhões, especialmente na rota entre Los Arenales, Tumeremo e El Dorado.
Legalidade e Contexto Constitucional
A Constituição bolivariana de 1999, em seu artigo 134, proíbe recrutamento forçado, prevendo que nenhum cidadão seja submetido a ele. O serviço militar obrigatório foi abolido nessa versão da Carta Magna, e substituído por formas de serviço voluntário ou civil.
No entanto, a pressão por resultados — como a promessa de Maduro de reunir cinco milhões de milicianos — tem levado comandantes militares a violarem essa norma constitucional, montando operações coercitivas para cumprir cotas de alistamento.
A Zona Mineradora: Por que Bolívar?
A escolha do estado de Bolívar não é aleatória. A região abriga o Arco Minerador, rica em ouro, que atrai jovens e trabalhadores em busca de sustento ou renda rápida. É também um território marcado por violência, grupos armados, mineração ilegal e forte presença de atores informais com poder — um ambiente propício para o recrutamento forçado, dada a vulnerabilidade da população.
No dia 26 de agosto, um dia antes da ação, foi gravado um movimento militar em grande escala na Troncal 10, perto de El Dorado: 17 veículos militares avançaram até La Garrapata León, numa aparente ação para controlar a área da mina.
Reação Internacional e Tensão EUA-Venezuela
Enquanto ocorriam essas ações na Venezuela, os Estados Unidos reforçaram sua presença naval no Caribe. Já havia três destróieres Aegis no local; fontes indicam que três navios de assalto anfíbio, carregando mais de 4.000 fuzileiros navais, seriam enviados nas próximas semanas.
A justificativa oficial dos EUA, como expressou o almirante Daryl Caudle, é o apoio a “operações e missões venezuelanas” contra cartéis narcotraficantes — embora os analistas descartem uma invasão direta à Venezuela.
Além disso, a Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, qualificou o regime de Maduro como a liderança de um cartel narcoterrorista, mencionando apoio de governos como Argentina, Paraguai, Equador, Guiana e Trinidad e Tobago à ação militar americana no Caribe.
Projeção – Força Armada EUA vs. Venezuela e Apoios Internacionais a Maduro
A escalada militar nas águas do Caribe e o recrutamento forçado dentro da Venezuela apontam para um cenário em que os EUA mantêm vantagem técnica e numérica: modernos destróieres, fuzileiros navais e poder naval projetado. Em contraste, a Venezuela depende fortemente da Milícia Bolivariana, cujo fortalecimento emergencial carece de motivação voluntária e está contaminado por violações legais.
No médio prazo, a FANB — com o apoio de milícias recém-recrutadas — poderia responder com patrulhas intensificadas (como já foi anunciado para Lago de Maracaibo e outras áreas), mas não possui os recursos navais ou tecnológicos para sustentar projeção de poder no Caribe.
Quanto aos apoios internacionais a Maduro, países como Colômbia (sob Gustavo Petro) demonstram alinhamento defensivo, especialmente na região do Catatumbo, onde há coordenação de tropas contra grupos armados. Já Argentina, Paraguai, Equador, Guiana e Trinidad e Tobago, segundo Washington, teriam apoiado medidas antidrogas dos EUA — o que indica um enfraquecimento do bloco diplomático anti-Maduro na região.
Em síntese, EUA e aliados regionais possuem superioridade naval e política no curto prazo. A Venezuela, por sua vez, tenta solidificar internamente sua base de força por meio de medidas autoritárias, fortalecendo laços militares com governos simpáticos ou aliados fronteiriços, como o colombiano, mas enfrenta isolamento crescente diante da crise internacional.
Fonte infobae.com/venezuela
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